quarta-feira, 3 de abril de 2013

APRESENTAÇÃO DO PIBID - SUBPROJETO DIVERSIDADE CULTURAL


A temática diversidade, associada à pluralidade cultural, nunca foi tão discutida e utilizada em discursos políticos e pedagógicos como no presente contexto. Desde a declaração de Nova Delhi de 16 de dezembro de 1993, considerou-se que a educação é o instrumento preeminente da promoção dos valores humanos universais, da qualidade dos recursos humanos e do respeito pela diversidade cultural e que os conteúdos e métodos de educação precisam ser desenvolvidos para servir às necessidades básicas de aprendizagem dos indivíduos e das sociedades, proporcionando-lhes o poder de enfrentar seus problemas mais urgentes – combate à pobreza, aumento da produtividade, melhora das condições de vida e proteção ao meio ambiente – e permitindo que assumam seu papel por direito na construção de sociedades democráticas e no enriquecimento de sua herança cultural. Outros documentos como a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA e o Plano Nacional de Direitos Humanos legitimam e reconhecem os direitos que toda e todo cidadão brasileiro, independentemente, de suas crenças, etnia, gênero e opção sexual possuem para o exercício da cidadania.
A Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural da UNESCO em 2002 aponta que a cultura deve ser considerada como o conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange, além das artes e das letras, os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradições e as crenças. A cultura se encontra no centro dos debates contemporâneos sobre a identidade, a coesão social e o desenvolvimento de uma economia fundada no saber. A declaração ainda afirma que o respeito à diversidade das culturas, à tolerância, ao diálogo e à cooperação, em um clima de confiança e de entendimento mútuos, estão entre as melhores garantias da paz e da segurança internacionais.
A Convenção sobre a proteção e promoção da Diversidade das Expressões Culturais, ratificado pelo Brasil por meio do decreto Legislativo 485/2006, define “Diversidade Cultural” como sendo a multiplicidade de formas pelas quais as culturas dos grupos e sociedades encontram sua expressão. Tais expressões são transmitidas entre e dentro dos grupos e sociedades. A diversidade cultural se manifesta não apenas nas variadas formas pelas quais se expressa, se enriquece e se transmite o patrimônio cultural da humanidade mediante a variedade das expressões culturais, mas também através dos diversos modos de criação, produção, difusão, distribuição e fruição das expressões culturais, quaisquer que sejam os meios e tecnologias empregados. O artigo 10 da convenção que se refere à Educação e Conscientização Pública apresenta como um dos seus principais objetivos: propiciar e desenvolver a compreensão da importância da proteção e promoção da diversidade das expressões culturais, por intermédio, entre outros, de programas de educação e maior sensibilização do público. Nesse sentido, acredita-se que o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID pode contribuir para esse objetivo educacional, construindo e disseminando saberes na formação inicial e continuada das diversas áreas do conhecimento, bem como no reconhecimento de expressões culturais no contexto escolar.
A diversidade cultural ganhou caminhos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) que apontam para o compromisso com a construção da cidadania pede necessariamente uma prática educacional voltada para a compreensão da realidade social e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal, coletiva e ambiental. Nessa perspectiva, a Pluralidade Cultural foi incorporada como Tema Transversal em 1997. Os PCN consideram que o grande desafio da escola é investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza representada pela diversidade etnocultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos na sociedade. Nesse sentido, a escola deve ser local de diálogo, de aprender a conviver, vivenciando a própria cultura e respeitando as diferentes formas de expressão cultural.
Nessa perspectiva, o presente subprojeto tecerá diálogos interdisciplinares, nos contextos da formação inicial e continuada das diversas áreas do conhecimento, bem como no espaço escolar de suas escolas-pólo. Essa proposta se pautará nos documentos da UNESCO, nos PCN, na Lei 10639/03 (que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira), na Lei 11645/08, que sanciona a Lei 10639/03 e inclui o ensino da história e cultura indígenas e nas teorizações de D´Ambrosio (1997) * sobre a Ética da Diversidade. A Ética da Diversidade se ampara nos princípios básicos do respeito pelo outro, com todas as suas diferenças; na solidariedade com o outro na satisfação de necessidades de sobrevivência e de transcendência e de cooperação com o outro na preservação do patrimônio natural e cultural comum.
O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de Uberlândia (NEAB/UFU) que desde 2006 vem desenvolvendo atividades nos âmbitos do ensino, pesquisa e extensão, contribuirá com esse subprojeto para a compreensão e reflexão de ações afirmativas que se configuram no espaço acadêmico-científico-escolar, a fim de promover novas concepções e aportes teóricos no que tange à questão etnicorracial na educação. As atividades desenvolvidas pelo PET (Re) Conectando Saberes, fazeres e práticas: rumo à cidadania consciente e pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Educação das Relações Etnicorraciais do campus Pontal, serão compartilhadas, durante o desenvolvimento desse subprojeto, a fim de permitir o diálogo entre a temática da implementação das Leis 10638/03 e 11645/08 e a diversidade cultural em áreas distintas do conhecimento que contemplam a formação inicial e continuada de professores na cidade de Ituiutaba.
Acredita-se que esse subprojeto, desenvolvido do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, poderá revelar - no contexto escolar e na prática docente do educador que passa a compreender a importância da temática Diversidade – características relevantes para sua visão de mundo que vão além de sua disciplina, podendo permitir uma postura em que o professor pesquise sua própria prática. Considera-se essencial a promoção de ações sistemáticas de formação que auxiliem, cada vez mais, futuros profissionais da educação e professores em serviço, na compreensão das relações que envolvem a temática Diversidade.
Ao se pensar na esteira da escola, onde a diversidade se configura e se (re) configura - a cada ano, faixa-etária, grupo étnico-cultural, turno, turma, nos bairros e cidades que compõem as escolas da rede a qual pertencemos – pretende-se, com esse subprojeto constituir Ciclos da Diversidade em que toda a equipe PIBID Diversidade possa fazer emergir na dinâmica do encontro entre professor/aluno, coordenador/supervisores, coordenador / licenciados e PIBID/escolas, uma nova forma de pensar a Diversidade – a Transdisciplinaridade!
*D´AMBROSIO, U. Transdisciplinaridade. São Paulo: Palas Atenas, 1997.

Ações previstas do PIBID Diversidade Cultural!
Exercitar e refletir sobre a Diversidade Cultural, focalizando temas das Africanidades brasileiras e das relações indígenas, pautados na implementação das Leis 10639/03 e 11645/08; estudar diversas abordagens teóricas sobre Diversidade cultural, a partir da revisão de literatura; investigar e experenciar, se possível, saberes e práticas tradicionais nos contextos africanos, afro-brasileiros e indígenas; promover encontros transdisciplinares na universidade e nas escolas-pólo; refletir sobre as ciências tradicionais da sabedoria africana e indígena, por meio de revisão bibliográfica.
Resultados Pretendidos!
- Contribuir para a formação inicial das licenciaturas da FACIP nas diversas áreas do conhecimento, no que tange as relações etnicorraciais e indígenas.
- Contribuir para a formação continuada dos professores supervisores, bem como envolvê-los no processo investigativo do programa, a fim de permitir a construção de sua identidade como professor-pesquisador.
- Contribuir para a reflexão e compreensão da diversidade cultural brasileira, a fim de promovermos uma pedagogia libertadora, antirracista e ética.
- Promover reflexões acerca da implementação das leis 10639/03 e 11645/08 na universidade e nas escolas-pólo, mediante os Ciclos da Diversidade.
- Promover reflexões sobre aspectos histórico-sociais que marcaram a sociedade brasileira na perspectiva eurocêntrica, racista e hierarquizante.
-Elaborar propostas didático-pedagógicas sobre a implementação das leis 10639/03 e 11645/08.
- Estabelecer diálogo entre estudantes, profissional e militante sobre discriminação racial, preconceito e formação identitária.
- Criar fóruns de debates, entendendo os espaços educacionais como potencializadores de ações em prol da Ética da Diversidade.
- Contribuir para minimizar as lacunas que se apresentam na escola e na universidade no que tange à Diversidade Cultural.
- Realizar grupos de estudos onde serão discutidos conceitos como preconceito, racismo, cultura, Africanidades e multiculturalismo.
- Investigar os processos de construção do saber didático de professores-formadores e como esses profissionais vêm as suas experiências em relação à implementação das Leis 10.639/03 e 11645/08 e das Diretrizes Curriculares nacionais para a Educação das relações etnicorraciais e para o ensino de História e cultura afro-brasileira e africana.

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